Claude, ChatGPT ou Gemini para desenvolvimento: como escolher
Assino dois e testei o terceiro. Não aponto um vencedor: conto o que cada um faz no meu trabalho e as três perguntas que decidem a escolha.
Não existe um vencedor entre Claude, ChatGPT e Gemini para desenvolvimento. A escolha depende do que você quer da IA, do tamanho dos seus projetos e de uma pergunta que quase ninguém faz antes de assinar: você quer ganhar produtividade ou ajuda para pensar? Eu assino dois deles e testei o terceiro, e o que conto aqui é o que cada um faz no meu trabalho, inclusive o que não sei dizer.
Isto não é um ranking. Não rodei benchmark nem coloquei os três na mesma tarefa com um cronômetro ao lado. E desconfio de quem responde "qual é o melhor?" sem perguntar nada antes.
O recorte deste artigo
Uso essas ferramentas de um jeito só: como agente no terminal, operando dentro do repositório do projeto. Não falo aqui do chat no navegador nem de extensão de IDE, porque não é assim que trabalho.
O segundo recorte é a data. Tudo o que descrevo vale para setembro de 2026. Modelos, planos e limites mudam em meses, e uma comparação dessas envelhece mais rápido que qualquer outro texto deste site. As perguntas do final envelhecem menos, e por isso são elas que eu entrego.
Claude: onde fica o trabalho de produção
O Claude é a ferramenta que uso para o que vai para produção. Trabalho com duas sessões separadas. Numa, que chamo de Implementor, eu planejo e implemento. As revisões vão para outra, a Revisor, que roda o modelo Opus em esforço médio. Quando a demanda exige mais raciocínio, subo o esforço. Quando não exige, deixo onde está.
O que me faz confiar nele para esse papel é o começo de cada trabalho. Em cada projeto que crio, ele entende a demanda e pergunta sobre aquilo que não entendeu, em vez de preencher a lacuna com uma suposição. Em Como usar IA para programar sem terceirizar seu raciocínio contei o que acontece quando a IA executa bem uma premissa ruim. Uma ferramenta que pergunta antes de executar devolve a decisão a quem deve tomá-la.
Ele também erra. No dia em que escrevo este artigo, numa demanda de cliente, pedi o mapeamento de um arquivo de importação. O mapeamento veio, e junto com ele vieram alterações em regras de negócio que não faziam parte do pedido e não deveriam ter sido tocadas.
Entender bem a demanda e respeitar o limite dela são coisas diferentes. O Claude costuma acertar a primeira. A segunda continua precisando de revisão.
ChatGPT: imagens, design e projetos leves
O ChatGPT tem outro papel no meu trabalho. Ultimamente eu o uso para gerar imagens e para ter ideias de design. Nisso ele é excelente, e melhor que o Claude.
Também recorro a ele em projetos mais leves, sem tanta complexidade.
O que não sei dizer é como ele se sai no trabalho pesado. Não tenho usado o ChatGPT em demandas complexas, então não tenho um caso para contar, nem a favor nem contra. Seria fácil preencher esse espaço com o que se lê por aí. Prefiro deixá-lo em branco: se o seu trabalho pesado vai rodar nele, a minha experiência não serve de evidência.
Gemini: vinte dias de teste
O Gemini eu testei, e ele não entrou no meu fluxo. Foram vinte dias com o modelo 3.1 Pro (Preview), pela API, em demandas reais de cliente.
A impressão que ficou é a de um modelo com mais dificuldade para entender as demandas e para propor soluções.
É uma percepção de uso, não um benchmark. Vale para uma versão, ainda em preview, num tipo de trabalho, durante vinte dias. Outra versão, ou outro tipo de projeto, pode dar um resultado diferente. Para mim, foi o suficiente para não trocar.
O limite de uso também entra na conta
Comecei no plano Pro do Claude. Esgotei o limite da janela de cinco horas e o limite semanal, e foi isso que me levou ao Max 5x, que custa US$ 100 por mês. O ChatGPT eu mantenho no Plus, de US$ 20 por mês.
A diferença entre os dois planos acompanha a diferença de papel. A ferramenta que carrega o trabalho de produção é a que esgota o limite, e é nela que o plano de entrada deixa de bastar. A que faz um papel menor cabe no plano menor.
Antes de escolher pela assinatura mais barata, considere que talvez você não fique nela. O custo dessas ferramentas tem mais desdobramentos do que cabe aqui, e fica para outro artigo.
As três perguntas
Quando alguém me pergunta qual dos três deve assinar, devolvo três perguntas.
Qual é o seu objetivo ao usar IA? Código de produção, imagem e ideia de design são trabalhos diferentes. No meu uso, a resposta para um não foi a resposta para os outros: Claude para o primeiro, ChatGPT para os outros dois.
Qual é o tamanho dos seus projetos? Em projeto leve, o ChatGPT me atende. Em projeto grande, com regra de negócio que não pode ser alterada por engano, pesam mais a capacidade de entender a demanda e o limite de uso do plano. É também onde a minha experiência se concentra numa ferramenta só.
Você quer ganhar produtividade ou ajuda para pensar? Quem quer produtividade precisa de uma ferramenta que execute bem um plano que já está pronto. Quem quer ajuda para pensar precisa de uma que pergunte e questione, e de um nível de raciocínio mais alto, que consome mais do limite.
A decisão
Não vou dizer qual assinar. Digo como eu decidiria no seu lugar: responda às três perguntas e depois teste a candidata numa demanda real sua, por alguns dias, e não num exemplo de tutorial. Foi o que fiz com o Gemini, e vinte dias de trabalho de verdade me disseram mais do que qualquer comparativo.
Aceite também que a resposta pode ser mais de uma ferramenta. A minha é uma para produção e outra para imagem e design.
E essa resposta tem prazo de validade. Daqui a alguns meses os modelos serão outros. As três perguntas continuam valendo.